Gauche
À procura d’um tal Amor,
Vivendo já um torpor
Em noite de desvario
Encontrei um certo rio
fluindo entre terra e rocha
e por flora que desabrocha
vencendo com persistência
com amor e sapiência
além de muito carinho
as pedras de seu caminho.
Fazendo-me referência
depressa ou com paciência
esse rio desvairado
vai correndo ao meu lado
e não percebe a dureza
d’um naco da natureza:
um barranco descuidado,
que só fica aqui parado
e sem ter muita vivência
não percebe a existência,
bem ali do outro lado
de um velho desocupado,
um tal de senhor Destino
ardiloso e felino,
brincalhão e desalmado,
de bom moço disfarçado
que prega peças nas gentes
que distraídas e crentes
no rumo certo da trilha
se encontram co’a armadilha
dos grandes contos de fadas
e se sentem bem amadas.
Mas logo ali há uma curva
e a água do rio se turva,
e eis o desfiladeiro,
ai meu Santo Padroeiro
rogai por mim pobre moço
livrai-me de mais esse poço.
E tens de mim a promessa
por mais que a vida me peça
nunca mais na onda do rio
por nada no mundo me fio.
Eu vou é ser gauche na vida
e aqui fica a despedida
desse nobre bobo da sorte
querendo fugir da morte
fincando o pé na estrada
por conta de quase nada
só pra ter a alegria
de quem sabe algum dia
Com esforço e sem louvor
Dar de cara c’o tal Amor.
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