quinta-feira, 14 de abril de 2016

Gauche


À procura d’um tal Amor,
Vivendo já um torpor

Em noite de desvario
Encontrei um certo rio

fluindo entre terra e rocha
e por flora que desabrocha

vencendo com persistência
com amor e sapiência

além de muito carinho
as pedras de seu caminho.

Fazendo-me referência
depressa ou com paciência

esse rio desvairado
vai correndo ao meu lado

e não percebe a dureza
d’um naco da natureza:

um barranco descuidado,
que só fica aqui parado

e sem ter muita vivência
não percebe a existência,

bem ali do outro lado
de um velho desocupado,

um tal de senhor Destino
ardiloso e felino,

brincalhão e desalmado,
de bom moço disfarçado 

que prega peças nas gentes
que distraídas e crentes

no rumo certo da trilha
se encontram co’a armadilha

dos grandes contos de fadas
e se sentem bem amadas.

Mas logo ali há uma curva
e a água do rio se turva,

e eis o desfiladeiro,
ai meu Santo Padroeiro

rogai por mim pobre moço
livrai-me de mais esse poço.

E tens de mim a promessa
por mais que a vida me peça

nunca mais na onda do rio
por nada no mundo me fio.

Eu vou é ser gauche na vida
e aqui fica a despedida

desse nobre bobo da sorte
querendo fugir da morte

fincando o pé na estrada
por conta de quase nada

só pra ter a alegria
de quem sabe algum dia

Com esforço e sem louvor
Dar de cara c’o tal Amor.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Postagens populares